Um Bravo sofre quando rola abaixo dos mil

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Decorreram cerca de 3 semanas desde a minha última aventura. Não que não tivesse vontade de andar, mas o clima aqui na minha estância de férias anda esquisito. Nos dias em que realmente posso rolar, S. Pedro lembra-se de chorar desalmadamente e é cada temporal, com muito vento e relâmpagos, que nos levam a pensar duas vezes antes de tentarmos qualquer incursão em alta montanha.

Esta terça feira, embora as previsões meteorológicas fossem de chuva para o dia, resolvi que já estava farto do pranto de S. Pedro ou será que este anda a beber em demasia e necessita de satisfazer mais amiúde necessidades fisiológicas de carácter líquido (recordações do tempo do serviço militar) e vai daí toca a mexer o esqueleto.

No dia anterior tinha programado voltar a atacar a zona do Säntis (a única neste momento que me dá pica), mas a ideia de que no dia seguinte iria eventualmente chover, conduziu-me a despender mais tempo com o meu camarada de armas pela noite dentro, sendo que acabamos os dois envolvidos numa orgia (não, não é o que estão a pensar 😊) de bebida e jogo.

Quando me apercebi, eram já quase 4 da manhã e como forma de apaziguar a minha mente, pensei “Deixa-lá, amanhã até vai chover!”.

No dia seguinte, affffffiiiiinnnnnaaaaallll não choveu. Porra para as previsões meteorológicas, em minha opinião em grande parte dos casos, são como as sondagens, valem o que valem.

Após meter alguma coisa no bucho, eram já 13h00, decidi arrancar para mais uma volta. Como a ânsia de ir ao Säntis era grande, mas o tempo já não o permitia, fiquei-me por uma volta ao sabor da vontade, ao Deus dará, que acabou por se tornar num verdadeiro suplício; pois quando se pedala sem destino pré-definido, a vontade de arrumar a bicla é proporcional ao nº de kilómetros efectuados (só para entendidos).

Enquanto pedalava e olhava para a minha montanha de eleição, vários pensamentos perpassavam pela minha mente (reminiscências da noite anterior, rica em líquidos destilados), mas um em particular não parava de me zurzir a mioleira “What the fuck are you doing here, when you could be climbing a mountain”.

Foi nesse momento que percebi ou cheguei à conclusão de que aqui nas Terras Helvéticas só serei feliz quando caminhar pedalando até ou acima dos 1’000 mts, sendo que altimetrias inferiores, não me darão a mesma pica.

Como membro fundador do restrito grupo Bravos do Pelotão, por diversas vezes tinha recebido feedback de que as nossas voltas, não eram nada fáceis, em particular as realizadas no Gerês, pelo que agora entendo melhor a minha verdadeira natureza.

Reconheço que sou um trepador. Pedalar para mim é sinónimo de subir. Enquanto subo não penso em mais nada, apenas no esforço e na vontade de lá chegar, ao cimo. Claro que o gozo da subida é duplamente recompensado pelo gozo da descida, e então quando mete singles, aí sim atingimos o nirvana.

Ejecs… à parte, e porque quem me conhece, sabe que nunca saio de bicla ou sujo a mesma para voltas inferiores a 20 kms, toca a delinear um plano B como forma de aumentar a distância. Meu dito, meu feito, toca a seguir até Speicher e de seguida Trogen (vila muito bonita, mas em dia de falta de inspiração, acabei por não tirar fotos…).

Esta volta embora tenha nascido torta, acabou por se endireitar. Soube a pouco, mas foi melhor assim, melhor que aturar a neura de não rolar.


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

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