Do cimo do Eggishorn vi o glaciar de Aletsch

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Eram 05h00 da manhã quando o despertador tocou. Ainda com ar de poucos amigos resolvi tomar um duche para ver se despertava. Enquanto a água me refrescava a moina, revi mentalmente todas as etapas agendadas para esta minha aventura em alta montanha.

Sempre em busca de novas sensações e na prossecução do objetivo de ultrapassar a barreira dos 3’000 mts sem ajuda de qualquer equipamento especial, tinha planeado uma visita ao “Eggishorn” a 2’926 mts. Para quem desconhece, esta montanha dá acesso ao maior glaciar da Suiça, o “Glaciar de Aletsch”, inscrito no património mundial da UNESCO, com os seus 23,6 kms de comprido e uma largura superior a 1,5 kms em quase toda a sua extensão.

Pelas 06h20 arranquei de Lausanne com destino a “Fiesch” (1’049 mts), onde cheguei por volta das 09h00, tendo mudado de comboio em “Brig”. Eram 09h48 quando cheguei à estação do “Eggishorn” a 2’869 mts (utilizei 2 teleféricos). Quem pretender efetuar esta aventura deve contar com mais de 7 horas perdidas em deslocações (uma aberração, mas vale mesmo a pena conforme poderão ver pelas fotos).

O dia não podia estar melhor, muito sol e temperaturas acima dos 20ºC isto se não esquecermos que estamos perto dos 3’000 mts.

O track delineado perfazia 18 kms e pelas minhas contas (6 horas de caminhada) deveria chegar a “Riederalp” (1’925 mts) por volta das 16h00, onde apanharia o teleférico que me conduziria à estação de “Mörel”, iniciando aí o meu regresso a Lausanne.

A dificuldade do trilho, associada à beleza das paisagens e a vontade de querer aproveitar o momento em cada instante, fizeram com que começasse desde o início a acumular um atraso significativo em relação ao planeado.

Como dizia a minha avó “…o que não se pode alterar, alterado está…”, pelo que a partir de certa altura, limitei-me a “enjoyar the sights” e a esquecer por completo o que tinha agendado, afinal não sabia quando teria novamente oportunidade de regressar a este local.

O certo é que com esta brincadeira (Carpe Diem) somente pelas 16h00 cheguei a “Bettmerhorn”, perto dos 2’700 mts. Daí era visível o meu destino final (1’925 mts), mas ainda me encontrava a 5 kms de distância e cerca de 2h30 de caminhada na melhor das hipóteses. Pelos meus cálculos e caso optasse por realizar esta parte final, chegaria a Lausanne por volta das 24h00.

Após um longo período de reflexão e enquanto me deleitava com as vistas, optei por abortar a minha aventura a partir deste ponto, tendo-me enfiado na primeira cabine do teleférico.

À semelhança de outras voltas realizadas em alta montanha, esta ficará sem dúvida gravada na minha memória, tal era a beleza das paisagens e o facto de nos sentirmos tão pequenos, tão insignificantes perante a grandeza do cenário.

Uma vez que dentro em breve começarão a cair as primeiras neves, esta foi a minha última aventura a estas altitudes (a cereja no top of the cake 😊) e para se poder andar acima dos 3’000 / 3’500 mts torna-se necessário a utilização de material de alpinismo.

Como diz o adágio popular “o futuro a Deus pertence” mas nunca recuo ou recuso um bom “challenge”, a ver vamos…


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

Podem visualizar esta crónica com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT. Ler o post (resposta) #214.