Em Ursy não vi ursos mas rolei com um verdadeiro Lamborghini

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O filósofo James William disse certa vez que “Há várias medidas para medir a vontade humana. A mais exata e a mais segura é a que se exprime por esta questão: de que esforço sois capazes?”

Vem isto a propósito da volta realizada para os lados de “Ursy” (cantão de Fribourg) na companhia dos suspeitos do costume Luis, Angel, Natercio e um novo companheiro de seu nome Leonel.

Realizaram-se cerca de 39 kms com um acumulado positivo de +/- 1'000 mts.

A altitude mínima foi de 698 mts e a máxima de 960 mts. Trilho muito engraçado com singles e subidas Q.B., aliás o gráfico de altimetria assemelha-se a uma lâmina de serrote com muito sobe e desce.

Sobre o novo companheiro apenas posso dizer que já se fazem poucos da tua raça 😊, isto porque se repararem bem nas fotos, a bicla não é grande espiga e segundo ele era a segunda vez que andava desde a sua aquisição. Ajoelho-me diante de ti porque sei bem o que sofreste para nos acompanhar sem nunca te queixares. “Chapeau mon ami!”

Passou-se quase ano e meio desde que realizei esta volta e hoje quando revejo estas fotos assim como outras de voltas subsequentes ainda não publicadas, apercebo-me que hoje não sou o mesmo homem que era nessa altura.

Primeiro porque fisicamente estou um ano e meio mais velho, mas como dizia Aristóteles “Sê dono da tua vontade e escravo da tua consciência”, logo o que “perco” no avançar da idade, ganho-o em serenidade.

Há quem associe a serenidade à capacidade que uma pessoa pode ter em lidar calmamente com as situações mais adversas, sobretudo aquelas que não dependem de nós. Muitas vezes ficamos angustiados e perdemos a serenidade quando confrontados com a pressão das expectativas que alimentamos em relação ao nosso futuro; temos de ser cautelosos em relação aos planos que nos propomos executar, pois por vezes esses sonhos e esperanças podem transformar-se em autênticos pesadelos e na maioria dos casos não passam de focos de tensão e de deceção. Quando um homem projeta planos mais realistas, sofre menos quer com as situações, quer com as pessoas e aproxima-se mais da serenidade.

É minha opinião que a serenidade corresponde a um estado de espirito no qual nos encontramos em paz, conciliados com o que somos e temos, com a nossa condição de humanos falíveis e mortais. Para atingir este estado temos acima de tudo de termos evoluído emocionalmente e moralmente, cuidado quando nos comparamos com os outros, pouco importa se eles possuem mais do que nós (materialmente falando) ou se os outros os consideram mais importantes do que nós; mas acima de tudo não nos devemos revoltar porque não somos tal como gostaríamos de ser. Acreditem que se forem capazes de aceitar as vossas limitações irão de certeza fazer desabrochar outras potencialidades que se encontram neste momento adormecidas.

Um aspeto que considero muito importante para atingir esta consciência de serenidade é a nossa capacidade em sabermos lidar com o tempo, quer seja o pouco, quer seja o muito que temos. Não nos devemos sentir em situação alguma culpados pela gestão do tempo, pois como sempre defendi, o tempo é e será sempre tudo aquilo que fizermos dele, para alguns será sempre pouco, para outros será em demasia, mas no fundo todos temos um tempo limitado, há que utilizá-lo “à bon escient”.

Saber esperar é uma arte e uma virtude muito rara hoje em dia mas quer concordemos ou não ajuda quando se pretende atingir um estado avançado de calma e serenidade. Bem sei que todos nós desde que saímos do ventre de nossas mães estamos em constante espera de eventos que de alguma forma irão influenciar as nossas ações futuras.

À medida que me torno menos jovem, constato que todos nós vivemos entre as lembranças do passado e a esperança de acontecimentos futuros que procuramos alcançar, com mais ou menos vontade. Uma das regras que me impus para guardar a minha sanidade nesta vida é tentar atingir os meus objetivos, perseguindo-nos e tudo fazendo para os alcançar com mais ou menos determinação e persistência.

Constato com regularidade que a maior parte das pessoas se sente muito triste quando está sem projetos, apenas usufruindo dos prazeres momentâneos que suas vidas vão oferecendo. Não sei se é fruto desta sociedade em que estamos inseridos ou da educação recebida dos nossos progenitores mas reparo que somos pouco competentes para viver o ócio. Esse estado de não querer nada, não procurar nada e que os filósofos antigos consideravam como muito criativo é algo gerador de um estado de alma que muitos resolveram chamar de tédio e que se repararem não deixa de ser ume forma peculiar de depressão. Quando estamos entediados é quando a nossa mente é bombardeada com questões acerca do sentido da vida e, como não temos meios de responder a essa pergunta, entramos em depressão.

Já devem ter constatado que tudo fazemos (eu pelo menos 😊) para termos a mente ocupada sendo o objetivo principal o de fugir ao ócio e ao tédio que o acompanha. Mesmo nos períodos de férias (merecidas, verdade seja dita), temos que nos ocupar, entretemo-nos a visitar lugares que não conhecemos, praticamos desportos radicais, pomos a leitura em dia, etc... A verdade meus amigos é que são poucos os que conseguem ficar em paz em prolongada inatividade.

E agora perguntam vocês, vá lá não se acanhem 😊,” O que podemos ou devemos fazer para limitar os “dégâts”?”

Nada de mais simples, basta aplicar nas nossas vidas o conceito de que a virtude está no meio ou como defendeu Aristóteles, basta temperar, isto é, cada um de nós parece ter uma “velocidade ideal” de andar na vida, de modo que se andarmos muito abaixo dela tenderemos a ficar deprimidos, ao passo que se andarmos muito acima dela tenderemos a ficar ansiosos. Interessa pois então não comparar a nossa velocidade com a dos outros uma vez que só estaremos bem quando estivermos ao nosso ritmo, qualquer que seja ele. Conhecer-se a si mesmo implica, entre outras coisas, conhecer a velocidade na qual nos sentimos confortáveis e conseguimos andar com competência e serenidade.

Aposto que neste momento estais todos a pensar “Amigo, não sei que raio de especiaria aromática andas a tomar, mas pela extensão dos escritos, não tenho dúvidas que é boa e potente 😊!”


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

Podem visualizar esta crónica com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT. Ler o post (resposta) #755 e 756.