Quem subir ao Mont Brûlé, não se queima de certeza

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Com esta cena do COVID-19 em curso, deu-me para fugir ou evitar os aglomerados de pessoas, pelo que agora, em vez de rolar ao fim de semana, rolo à semana, isto porque há muito menos gente nos comboios e autocarros.

Esta terça feira, fui rolar e mais uma vez a escolha, como não podia deixar de ser 😊, recaiu sobre uma volta dos famosos “grandes malucos”.

Confesso que após esta volta (as fotos falarão por si) fiquei na dúvida quem é mais maluco, se eles, com biclas adequadas, equipamento de proteção e técnica ou eu, por tentar plagiá-los, mas sem a bicla, o equipamento e sobretudo as unhas para tocar guitarra “comme il se doit” 😊.

Miguel Esteves Cardoso escreveu uma coisa interessante (sempre subjetivo, vale o que vale), “Viver é um favor que não se sabe quando acaba - nem como pagar - mas que se sabe, logo à partida, que vai acabar antes de nos apetecer. Todos os dias sinto que foi mais um dia que me foi dado e, ao mesmo tempo, mais um dia que me foi subtraído, que jamais hei-de recuperar”.

Pois bem, neste momento, atravesso uma fase no que toca ao BTT, que me recomenda d’efetuar voltas que saiam “des sentiers battus” e que sobretudo, motivem a maioria dos leitores (as) a amarem esta atividade, esta natureza, este mundo e sobretudo a ultrapassarem-se.

Acreditem, como em tudo na vida, o limite está apenas na nossa cabeça!

A volta principiou por uma viagem de quase 3h00 entre comboios (3) e autocarros (1) até chegar ao ponto de partida, neste caso, “Bourg-Saint-Pierre” a 1’622 mts de altitude.

Iniciei a volta propriamente dita pelas 10h00 da manhã, sendo o objetivo principal do dia atingir a “Cabane du Col de Mille” a 2’473 mts. O dia não podia estar melhor, estava calor Q.B, mas corria uma brisa que ajudava bastante.

Quando desenhei o track com base nas informações do dito grupo, sabia que ia ser duro, apenas não fazia ideia que ia ser assim tão duro 😊.

Basicamente a volta resume-se a 18 kms a subir e restantes 19 kms a descer. Esta volta caracteriza-se sobretudo por conter quase 40% de singles de caminheiros, a subir, a descer, um mimo mesmo. Em muitas zonas a adrenalina esteve ao rubro e em muitas ocasiões sobretudo a descer, estive para malhar, isto porque um gajo “se laisse aller” e quando dá por ela vai confiante e não seguro 😊.

Aos 1’990 mts fui ultrapassado por uma senhora de elétrica. Passados 10 metros parou e puxou conversa enquanto dava meia volta. Como já referido em crónicas anteriores, só tenho jeito para atrair mulheres maduras, muito maduras mesmo 😊, neste caso, esta tinha 65 anos. Explicou-me que a bicla pesava 23 kgs e que neste preciso local, dava meia volta porque a partir daí a erva nas bermas estava muito alta e que nas curvas não conseguia detetar a presença de carros (perigo). Para além disso, recentemente tinha dado uma queda a descer mais acima do ponto onde nos encontrávamos e por uma qualquer razão sem explicação plausível ficou com vertigens quando tem de rolar em trilhos de caminheiros.

Confesso que se chegar até à “Cabane du Col de Mille” já por si é duro, a cereja “on the cake” é em menos de 1’000 mts de distância, subir 100 mts de desnível até atingir o “Mont Brûlé” e os seus 2’572 mts.

Quando cheguei lá acima, encontrei duas caminheiras que tinha cruzado 4 kms atrás e por sinal boas conversadoras, vai daí toca a “dar à língua” por mais 40 minutos. Quando olhei para o relógio, eram quase 17h00 e ainda tinha de descer 19 kms em singles “manhosos”, com declives malucos 😊.

Quando cheguei à estação de comboios de “Sembrancher” a 718 mts, eram 19h15. Apanhei o comboio das 19h30 e cheguei a casa pelas 21h05. Como ainda era de dia, consegui safar-me do rolo da massa 😊.

Dados da volta

- Altitude máxima – 2’572 mts

- Altitude mínima – 718 mts

- Acumulado de subida – 1’237 mts

- Acumulado de descida – 1’854 mts

- N°total de Kms – 37 kms

A meio da descida, o meu Garmin Edge 800 adquirido em 2012, deu sinal de bateria fraca ao fim de 7 horas em continuo. Mesmo assim ainda aguentou mais 1 hora até “he passed away”😊.

Quando isso aconteceu estava no meio de uma floresta sem qualquer ponto de referência para que lado seguir. A minha sorte foi que dias antes tinha instalado o Google Earth no Iphone e por medida de precaução (back-up numa eventualidade) tinha descarregado o track e lá consegui desenrascar (saber onde estava). Agora imaginem se estivesse numa zona sem rede, se calhar a esta hora ainda por lá andava 😊.

De maneira a não ter de passar por isto novamente (sensação muito esquisita, mesmo, a de estar perdido), encomendei hoje um Garmin Edge 1030 Plus que venho a namorar há quase um ano.

Para além de todas as funções que não vou utilizar (reconheço que sou um “cro-magnon” da idade da pedra 😊), o que me conduziu à compra foi sobretudo:

- A autonomia de 24h a 48h em continuo

- A função regresso ao início (O Edge 1030 Plus é suficientemente inteligente para o redirecionar de volta ao início, caso se desvie ou decida voltar para casa mais cedo)

- A função livetrack (Utilize o LiveTrack para que os seus amigos e familiares o acompanhem em tempo real e vejam todo o seu percurso pré-planeado. Esteja descansado sabendo que os seus entes queridos sabem exatamente onde está a pedalar.)

Mais informações para quem desejar em: https://buy.garmin.com/pt-PT/ES/p/704417

Confirmo que a Garmin não faz parte dos meus patrocinadores OK 😊.

“En guise de conclusion”, termino com esta tirada do Agostinho Silva “Lembrai-vos de viver antes de quererdes saber o para quê; e verificareis que, tendo vivido, a pergunta deixa de ter sobre vós o seu peso terrível”.


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

Podem visualizar esta crónica com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT. Ler o post (resposta) #965 e 966.