O pagador de promessas foi ao São Bento da Porta Aberta

Carousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel imageCarousel image

Marguerite Yourcenar escreveu "Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana" e eu acrescentaria que o nosso passado, tarde ou cedo acaba por nos apanhar.

Este início de crónica vem a propósito de numa noite bem “regada” passada entre amigos aquando da minha estadia em Portugal, alguém ter sugerido realizarmos uma caminhada (peregrinação) a iniciar na Póvoa de Lanhoso (230 mts), passando pelas Cerdeirinhas (550 mts), pontes do Rio Caldo (175 mts) e finalizando no santuário do São Bento da Porta Aberta (300 mts), tal qual como nos velhos tempos.

A última vez que fui a pé ao São Bento da Porta Aberta foi nos idos anos 90, mais concretamente em 1992 e nesse ano fui lá 3 vezes (duas de bicla, recentemente adquirida na altura e que ainda tenho e uma a pé, portanto nesse ano tive a minha conta).

A minha relação com o santuário do São Bento da Porta Aberta remonta à minha infância, é nestas alturas quando recordamos o passado que constatamos o poder que a família tem sobre o crescimento do individuo e na sua formação como pessoa. Obrigado pais e avós!

Como esta aventura não estava programada, não trouxe das Terras Helvéticas as minhas botas de caminhada, pelo que fui de ténis (erro de principiante e fatal conforme virei a descobrir).

Por norma caminho a bom passo e os meus companheiros acompanharam o ritmo e passados 4h00 tínhamos chegado ao destino, tendo percorrido +/- 23 kms.

Acreditem que ainda ponderei se deveria ou não relatar esta crónica uma vez que a mesma não trata de nenhuma aventura em BTT ou caminhada em alta montanha, mas o poder do Gerês abateu-se sobre a minha cabeça e não deixou que vos privasse destas belíssimas chapas.

Como disse anteriormente baldei-me, levei uns ténis e mal comecei a descer das Cerdeirinhas para as pontes do Rio Caldo senti umas dores nos dedos grandes dos pés, isto sempre que tocavam na ponta do ténis (parte em contacto com a unha). Esta dor foi uma constante até finalizar a volta. Quando cheguei a casa e tirei os ténis, qual não é o meu espanto ao verificar que entre a unha e a pele logo por debaixo desta, tinha-se formado em cada um dos dedos uma grossa bolha de água e sangue. Foi de tal forma intensa a fricção imposta pela cadência que as unhas tinham “recozido”, dando a impressão que a qualquer momento se iam desprender do dedo, para além de estarem com uma cor avermelhada tipo como se alguém me tivesse dado uma martelada.

Durante quase uma semana não pude calçar nada com exceção das minhas botas de caminhada (irónico não acham?), isto porque o peito do pé fica preso e devido à forma de balão na biqueira, as unhas nunca ficam em contato com a mesma; para além de ter de fazer diariamente uma massagem à base de sal e óleos. Quase a fazer um mês, as unhas continuam vermelhas (se fosse Verão ainda ditariam eventualmente uma nova moda 😊).

Não sei se repararam numa das fotos que os ténis na sola são azuis, pois essa mesma sola descolou-se por completo, tendo os mesmos ido parar a uma “oficina” para serem novamente recauchutados.

Aprendi a lição, caminhadas só mesmo com calçado apropriado.


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

Podem visualizar esta crónica com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT. Ler o post (resposta) #334.