Da Póvoa de Lanhoso à Nossa Senhora da Lapa é um tirinho

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Como diria Confúcio “Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar onde quer”, vem isto a propósito da volta realizada aquando de uma das minhas vindas a Portugal no ano transato.

Mais uma vez o amigo Pereira caprichou, tendo idealizado uma volta que arrancaria de muito perto do meu “domus” por Terras Lusas, aliás a primeira foto retrata a vista que tenho a partir da minha “demeure”.

Considero-me um privilegiado por morar mesmo em frente ao maior monólito granítico da Península Ibérica, mais conhecido por Monte do Pilar e que se se encontra a 385 mts acima do nível do mar.

Erigido em cima deste penedo encontra-se o Castelo de Lanhoso, onde diz a lenda D. Afonso Henriques nosso primeiro rei de Portugal, mandou prender a mãe D.Teresa. Se um dia passarem pela Póvoa de Lanhoso, aconselho a visita.

Compreendem agora melhor porque sofro do “mal du pays” e tenho esta necessidade de regressar à Pátria. Vivo nesta ambivalência pois em quaisquer dos países posso afirmar que sou feliz, tenho tudo aquilo que necessito, saúde, amigos verdadeiros, trabalho e vontade de seguir em frente.

Cada um de nós sabe que a vida nem sempre é fácil, mas uma das grandes virtudes que o ser humano pode ter é a sua capacidade de resiliência.

Todos nós num momento ou outro das nossas vidas passamos por situações que esgotam as nossas forças e minimizam os nossos ânimos. Por mais que tentemos escapar, inevitavelmente seremos dececionados pelas pessoas, seremos rejeitados, chumbaremos em muitos testes, ficaremos em segundo lugar em vagas para empregos ou mesmo em promoções no nosso trabalho, choraremos o luto de pessoas que nos são queridas, estes são alguns dos reveses por que teremos de passar ao longo do nosso caminho.

Por norma os nossos progenitores prepararam-nos para receber o melhor nas nossas vidas, ao passo que fugimos à necessidade de estarmos prontos a enfrentar o avassalamento que certos momentos trarão e desenganem-se amigos, eles virão; é a chamada inevitabilidade da vida. É com certa naturalidade que expomos os nossos sucessos, as nossas conquistas, tudo aquilo que “we achieved” ao longo da nossa caminhada, mas partilhar os nossos fracassos, os nossos problemas, a nossa dor é por si só tarefa impossível, isto porque foi-nos inculcado desde tenra idade que negar algo parece afastá-lo da nossa vista e do nosso coração. Pura ilusão 😊.

Negar os nossos fracassos não os impedirá de baterem à nossa porta, obrigando-nos a encarar as nossas fraquezas, a refletir sobre o que fomos fazendo ao longo do tempo que nos foi dado, para que possamos repensar e eventualmente operar as mudanças que nos tornem aptos a deixar de cometer os mesmos erros. Quer queiramos ou não e se queremos evoluir é fundamental que despendamos tempo para analisar e digerir os episódios que correram menos bem nas nossas vidas de forma a renascermos oxigenados para novas tentativas de abordagem.

Ao longo desta caminhada o tempo ensinou-me que temos de confiar nele e nas verdades que este sempre nos traz, bem como na infalibilidade da colheita a que todos estaremos sujeitos, de acordo com a qualidade das sementes que lançamos pelos caminhos que fomos calcorreando. É preciso que estejamos conscientes que muito do que sofremos nesta vida é tão-somente o resultado das nossas ações, ou seja, se agíssemos todos no dia a dia tendo em vista as consequências futuras do que fazemos hoje, talvez nos pouparíamos de amanhãs difíceis.

Após as devastações emocionais que por nossas vidas passam, derrubando tudo o que há pela frente, amofinando os nossos sentidos e roubando o nosso fôlego, será chegado o momento de decisão, de retomada, de assomar. A dor, a revolta e o alquebramento que fatalmente nos invadirão serão úteis, para que esgotemos a nossa tristeza, haurindo-a até que se esvazie e sejamos preenchidos pela construção paulatina de certezas cheias de esperança, com a ajuda dos amigos, da família, da parceira (no meu caso), que indubitavelmente estará sempre connosco, junto a nós, disposta, com acolhimento sincero e sorriso verdadeiro.

Trata-se de um processo lento, que requer paciência e resignação, fé e confiança em nós mesmos, na nossa capacidade de nos reinventarmos, de solucionarmos o que parecia impossível, de divisarmos refletidamente o mundo à nossa volta, aprendendo e reaprendendo a cada dia. Que fique claro que não poderemos agir e escolher corretamente o tempo todo, mas o facto de podermos contar com o amor verdadeiro de todos aqueles que nos querem bem e nos apoiam fará toda a diferença nos momentos em que a vida nos correr menos bem. É assim em minha opinião que uma pessoa cresce, evolui e se torna uma pessoa melhor.

Dito isto, vamos ao que vos trouxe a este tópico 😊. A volta arrancou na Póvoa de Lanhoso, tendo passado pelo Monte de São Mamede, Senhora da Lapa e DiverLanhoso.

Como disse o amigo Pereira, tratou-se de uma volta mais “soft” do que a da semana passada, não deixando de ter o seu encanto pois foram cerca de 39,5 Kms com um acumulado positivo de +/- 1.230 mts e realizou-se com temperaturas a rondar e ultrapassar mesmo os 36ºC.

Se alguém pretender realizar esta volta, posso adiantar-vos que esta é muito equilibrada com longas subidas QB e excelentes patamares para recuperar, como sabem não tiro fotos nas descidas!

Uma volta que não me cansarei de repetir tal a variedade de cenários. Foi também nesse dia que presenciei o meu primeiro incêndio da época, muito perto da capela da Nossa Senhora da Lapa, tendo sido necessário a utilização de meios aéreos, neste caso um helicóptero.

Termino esta crónica tal como comecei com uma pequena tirada de Confúcio “A nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.”

“Eh OUI c’est ça le secret” de uma vida bem vivida!

Acreditem que se conseguirem aplicar isto à letra, nem imaginam, “it’s far more beyond” de tudo aquilo que já puderam experienciar 😊.

Embora estas férias tenham sido um pouco atípicas, pude partilhar com os meus companheiros Lusitanos (Pereira dos "Bravos do Pelotão" e Barros e Filipe dos "Toupeirinhas do Pedal"), momentos de rara beleza e convivialidade.


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

Podem visualizar esta crónica com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT. Ler o post (resposta) #749 e 750.