Pela Serra do Marão duas Scotts bateram-se em duelo

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“Não há como regressar a um local que se mantém inalterado para nos apercebermos da forma como mudámos”, e não é porque Nelson Mandela assim o disse que eu próprio não o sinta a cada meu regresso à Terra Mãe.

Mais uma ida a Portugal, mais uma volta de bicicleta e acreditem que enquanto vivo for e vontade tiver é assim que continuar quero 😊.

Desta vez fui eu que indiquei ao amigo Pereira a volta a realizar. Há sete anos que anseio por fazer uma volta pela sétima maior elevação de Portugal Continental, tantos como os que levo das Terras Helvéticas. Foi em setembro de 2010 que o Pereira efetuou esta volta pela primeira vez, mas na altura o passeio não correu lá grande coisa pois no dia da prova abateu-se uma carga de água misturada com um espesso carujeiro.

“Tant bien que mal”, o Pereira lá conseguiu acabar a volta mas completamente desolado por não ter podido apreciar as vistas. Mal sabia ele e eu também que passado um mês lá estaria eu a abalar para a “Switzerland”.

Realizar esta volta permitiu-nos como que fazer as pazes com o nosso passado e acreditem que valeu mesmo a pena (as fotos falam por si).

Levantei-me pelas 05h45 de forma a arrancarmos a volta “in sito” pelas 08h00-08h30 na freguesia da Campeã 😊. O dia não podia estar melhor, embora estejamos no Outono, rolamos com temperaturas a avizinhar os 30ºC.

Como repararam coloquei um “smiley” junto à Campeã isto porque embora esta aldeia fique a mais de 100 kms da Póvoa de Lanhoso, vim a constatar que é mais conhecida que os tremoços, passo a explicar:

Cena 1 – O Pereira confessou-me que uns dias após o passeio de 2010 em conversas com a responsável RH da empresa para a qual labutava na altura, esta mostrou-se surpreendida por ele ter ido andar de bicla na sua aldeia Natal.

Cena 2 – Em conversa com o meu “Portuguese dentist” no dia a seguir à volta, qual não foi o meu espanto quando este me diz que o pai era originário dessa aldeia e que até aos 12 anos passou lá sempre as férias escolares de Verão. Aliás, acabou por mencionar os 2 restaurantes existentes.

Tratando-se de uma volta circular, arrancámos da Campeã a 743 mts e o objetivo era alcançar a Capela de Nossa Senhora da Serra a 1'415 mts. Durante o trajeto iriamos cruzar a Pousada de São Gonçalo mais conhecida por Pousada do Marão a 890 mts, e em duas ocasiões passaríamos muito perto da entrada e saída do túnel do Marão 😊.

Sendo uma zona sobretudo xistosa é natural que muitos dos trilhos fossem compostos por esse tipo de rocha pelo que o perigo maior não era a malta malhar porque escorregou nesse cascalho xistoso mas sim cortar um pneu porque passou com velocidade a mais ou bateu de chofre numa dessas rochas pontiagudas e cortantes como lâminas.

Em muitos locais pensei que estava a andar na Serra do Gerês ou na Serra Amarela, tão grande era a similitude das paisagens ou seriam saudades dessas paragens 😊.

Numa das fotos, conseguimos ver o Santuário de Nossa Senhora da Graça a 943 mts. Nem parece que se encontra a quase 13 kms, mas pior que isso é constatar que as montanhas lá ao fundo da foto do lado esquerdo pertencem ao Gerês a quase 53 kms.

Amigo Pereira, aproveito a crónica para esclarecer o significado da expressão “minute papillon” que por diversas vezes utilizei ao longo da volta.

« Cette expression semble être apparue pour la première fois au XXe siècle. Toutefois, ses origines sont controversées. Il pourrait s'agir d'une référence aux papillons qui volent rapidement mais qui ne se posent jamais ou pas longtemps. Une autre explication attribue l'origine de l'expression aux journalistes du Canard Enchaîné, qui, avant la Seconde Guerre Mondiale, allaient souvent dans un café voisin. Là, il y aurait eu un serveur du nom de Papillon qui, lorsqu'on l'appelait, répondait "minute, j'arrive". Ils l'auraient alors surnommé "Minute Papillon". Quelle que soit l'origine exacte, l'expression signifie que l'on demande à une personne de prendre du temps pour réfléchir, ou bien que l'on souhaite qu'elle patiente. »

Acabamos por realizar cerca de 53 kms com 1'550 mts de acumulado positivo em que a altitude mínima foi de 720 mts e a máxima de 1'415 mts.

Confesso que quando aterrei no Porto, o simples gesto de cheirar e atestar os pulmões de ar, encheu-me d’uma imensa nostalgia, recordações de vidas passadas. Podem dizer o que quiserem mas para um tipo como eu, amante das coisas simples da vida, sinto-me por vezes como canta a Mariza “Ó gente da minha terra / Agora é que eu percebi / Esta tristeza que trago / Foi de vós que recebi”.

Como disse Virgílio Ferreira “A alegria do que nos alegrou dura pouco. A dor do que nos doeu dura muito mais. Vê se consegues poupar a alegria e esbanjares o que te dói. Vive aquela intensamente e moderadamente. E atira a outra ao caixote.”

Saí de Portugal oxigenado até à próxima visita.

Obrigado Pereira pela disponibilidade. Pelos vistos agora somos só nós!

Sem stress, a vida continua e mais voltas nos aguardam 😊.


Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

Podem visualizar esta crónica com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT. Ler o post (resposta) #734 e 735.